DEMOCRACIA MUSCULADA
Acabo de ouvir uma das mais fantásticas declarações dos últimos tempos. O (por assim dizer) ministro da justiça disse qualquer coisa como isto: "Queremos a concertação (a palavra era outra, de que me não recordo, com o mesmo sentido) com os parceiros sociais. Mas com ela, ou sem ela, vamos efectuar as reformas.".
Se alguém tiver o número do ministro faça o favor de lhe telefonar e dizer que há psiquiatras que fazem um trabalho excelente no campo do autismo.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
15 de setembro de 2004
14 de setembro de 2004
NÃO NOS TIREM O TABAQUINHO
O Correio da Manhã gritava com as letras todas: "O Tabaco paga a crise". Estavam horrorizados com a perspectiva de terem de reduzir o vício, mercê do aumento de preço do dito cujo.
Na verdade, o terror vai chegar no dia em que tiverem de deitar no lixo as beatas que enfiam aos milhões na areia ou deitam para o chão na esperança que cresça. Mas, não se preocupem, a atender à impunidade com que toda a gente acende cigarros no Metro, debaixo das placas de Proibido Fumar, não será para breve.
O Correio da Manhã gritava com as letras todas: "O Tabaco paga a crise". Estavam horrorizados com a perspectiva de terem de reduzir o vício, mercê do aumento de preço do dito cujo.
Na verdade, o terror vai chegar no dia em que tiverem de deitar no lixo as beatas que enfiam aos milhões na areia ou deitam para o chão na esperança que cresça. Mas, não se preocupem, a atender à impunidade com que toda a gente acende cigarros no Metro, debaixo das placas de Proibido Fumar, não será para breve.
O FIM DA VERGONHA (falta saber o começo de quê...)
Um dos piores momentos da minha vida passei-o entre as paredes do quartel de Setúbal. Depois de anos de faculdade, a endividar-me para estudar os autores clássicos e contemporâneos, vi-me na contigência de perder quase 2 anos da minha vida ao serviço de coisa nenhuma. Não se estava em guerra, havia gente suficiente para manter o número de generais no activo, mas mesmo assim, lá me chatearam. Fui à Inspecção, como os outros. Dei o meu pior nos testes físicos, como a maioria... e o meu melhor nos psicotécnicos, já que se a desgraça se confirmasse ao menos que vegetasse em furriel (um lindo nome, só comparável ao biológico "roaz corvineiro"!).
Lá fui parar à Reserva, mas ninguém me tira a sensação de impotência que me invadiu nesse dia, preso nas malhas do mais pacóvio do nosso país. Sabia que se quisesse sair naquele momento dali, haveriam de se cruzar armas à minha frente. E a perda de liberdade, meus amigos, é a pior das sensações.
Acaba no domingo o Quartel da Vergonha. Já não era sem tempo.
ps: que não se preocupem os mais sensíveis que existirão sempre tipos e tipas com gosto por se espojar na lama e esfregar no chão, antes de irem servir de choferes aos majores valentões.
Um dos piores momentos da minha vida passei-o entre as paredes do quartel de Setúbal. Depois de anos de faculdade, a endividar-me para estudar os autores clássicos e contemporâneos, vi-me na contigência de perder quase 2 anos da minha vida ao serviço de coisa nenhuma. Não se estava em guerra, havia gente suficiente para manter o número de generais no activo, mas mesmo assim, lá me chatearam. Fui à Inspecção, como os outros. Dei o meu pior nos testes físicos, como a maioria... e o meu melhor nos psicotécnicos, já que se a desgraça se confirmasse ao menos que vegetasse em furriel (um lindo nome, só comparável ao biológico "roaz corvineiro"!).
Lá fui parar à Reserva, mas ninguém me tira a sensação de impotência que me invadiu nesse dia, preso nas malhas do mais pacóvio do nosso país. Sabia que se quisesse sair naquele momento dali, haveriam de se cruzar armas à minha frente. E a perda de liberdade, meus amigos, é a pior das sensações.
Acaba no domingo o Quartel da Vergonha. Já não era sem tempo.
ps: que não se preocupem os mais sensíveis que existirão sempre tipos e tipas com gosto por se espojar na lama e esfregar no chão, antes de irem servir de choferes aos majores valentões.
teatro
Na Malaposta, até dia 26, está a peça de Virgílio de Almeida "Fui às compras". Encenação de Carlota Gonçalves e Carlos Gomes (de quem vimos entre outras, as peças "Amok",e "Clube de Gelo"sob a sigla An-Carl-Go). Com Pedro Oliveira e Dora Bernardo na representação.
Uma mulher interroga-se sobre a sua relação com os homens e o mundo em geral, através do telefone.
Na Malaposta, até dia 26, está a peça de Virgílio de Almeida "Fui às compras". Encenação de Carlota Gonçalves e Carlos Gomes (de quem vimos entre outras, as peças "Amok",e "Clube de Gelo"sob a sigla An-Carl-Go). Com Pedro Oliveira e Dora Bernardo na representação.
Uma mulher interroga-se sobre a sua relação com os homens e o mundo em geral, através do telefone.
12 de setembro de 2004
contadores
Hoje lembrei-me do antigo contador deste blogue. Desaparecido pouco depois das 50000 visitas. Na verdade, desde que se sumiu esta coisa de saber se o que escrevi foi lido por 100 ou por 1000 pessoas num dia que tudo se tornou mais fluido. E simples.
Na verdade, temos em nós um raio de um mecanismo de agradar que só quando desligamos as máquinas que o alimentam é que nos damos conta do essencial.
Welcome, quantos vierem por bem. ;)
Hoje lembrei-me do antigo contador deste blogue. Desaparecido pouco depois das 50000 visitas. Na verdade, desde que se sumiu esta coisa de saber se o que escrevi foi lido por 100 ou por 1000 pessoas num dia que tudo se tornou mais fluido. E simples.
Na verdade, temos em nós um raio de um mecanismo de agradar que só quando desligamos as máquinas que o alimentam é que nos damos conta do essencial.
Welcome, quantos vierem por bem. ;)
10 de setembro de 2004
TERMINAL DE AEROPORTO
Durante muitos anos tive o Spielberg por realizador favorito. Achei que o ET era uma obra-prima, a COR PÚRPURA um filme muito conseguido e por aí fora.
"Terminal" não contraria nada do que ele fez até agora. Tem as pontas todas certinhas e, de vez em quando, pisca um olho a formas mais ousadas de colocar a câmara ou de fotografar a cena. Merece, por certo, os 5 euros que (em Lisboa) desembolsei para o ver.
Não sei, contudo, se mereceria que os nossos críticos copiassem o entusiasmo da Variety.
Ainda assim, é de ver. Com calma.
Durante muitos anos tive o Spielberg por realizador favorito. Achei que o ET era uma obra-prima, a COR PÚRPURA um filme muito conseguido e por aí fora.
"Terminal" não contraria nada do que ele fez até agora. Tem as pontas todas certinhas e, de vez em quando, pisca um olho a formas mais ousadas de colocar a câmara ou de fotografar a cena. Merece, por certo, os 5 euros que (em Lisboa) desembolsei para o ver.
Não sei, contudo, se mereceria que os nossos críticos copiassem o entusiasmo da Variety.
Ainda assim, é de ver. Com calma.
A VIDA DURA DE ESCRITOR
Até há poucos meses achava que o mais difícil ao escrever um romance consistia em dominar dezenas de personagens moventes numa estrutura traiçoeira, enquanto se pensa por que cargas de água os novos ministros solicitavam 50 carros de luxo novinhos em folha e ao mesmo tempo achavam um desperdício apoiar a criação artística.
Estava enganado.
O mais difícil é teclar depressa com um gato novo no colo. Uma casa inteirinha para se estender e o estúpido! (desabafo breve, intervalado por um agitar de uma orelha felina com cócegas) acha que viver em cima das minha pernas é a felicidade suprema.
Help!
Até há poucos meses achava que o mais difícil ao escrever um romance consistia em dominar dezenas de personagens moventes numa estrutura traiçoeira, enquanto se pensa por que cargas de água os novos ministros solicitavam 50 carros de luxo novinhos em folha e ao mesmo tempo achavam um desperdício apoiar a criação artística.
Estava enganado.
O mais difícil é teclar depressa com um gato novo no colo. Uma casa inteirinha para se estender e o estúpido! (desabafo breve, intervalado por um agitar de uma orelha felina com cócegas) acha que viver em cima das minha pernas é a felicidade suprema.
Help!
8 de setembro de 2004
SÂNTANO- A SAGA (episódio 2)
Pá, ainda bem que afinal está tudo bem! Estamos a sair da crise, sempre que há Euro cá em casa; a PT, os seus investidores... e os respectivos administradores duplicaram os lucros anuais; as instâncias culturais estão controladas por Tias (simpáticas e com boa vontade, algumas...) que regressam a casa de Jaguar, depois de um dia divertido e que os sindicatos independentes vêm afirmar que "Já que se está a crescer, então que venham de lá esses aumentos".
Perante esta notícia, vou-me esquecer do número de desempregados aterrador, dos filhos que foram obrigados a voltar a viver com os pais porque não conseguiram pagar a renda, os velhos que se alimentam a sopas de leite porque a reforma não lhes dá para mais do que medicamentos e os sem-abrigo que se vão multiplicando em caixas de cartão.
O meu país vai de vento em popa, dizem os políticos e os empresários, satisfeitos.
Há-de ser verdade, por certo...
Pá, ainda bem que afinal está tudo bem! Estamos a sair da crise, sempre que há Euro cá em casa; a PT, os seus investidores... e os respectivos administradores duplicaram os lucros anuais; as instâncias culturais estão controladas por Tias (simpáticas e com boa vontade, algumas...) que regressam a casa de Jaguar, depois de um dia divertido e que os sindicatos independentes vêm afirmar que "Já que se está a crescer, então que venham de lá esses aumentos".
Perante esta notícia, vou-me esquecer do número de desempregados aterrador, dos filhos que foram obrigados a voltar a viver com os pais porque não conseguiram pagar a renda, os velhos que se alimentam a sopas de leite porque a reforma não lhes dá para mais do que medicamentos e os sem-abrigo que se vão multiplicando em caixas de cartão.
O meu país vai de vento em popa, dizem os políticos e os empresários, satisfeitos.
Há-de ser verdade, por certo...
7 de setembro de 2004
AINDA A SAGA BARQUEIRA
O nosso ministro para a Defesa Das Mulheres Reprimidas lá veio todo contentinho dizer que o tribunal lhe deu razão. Como se isso significasse fosse o que fosse neste país. Basta que o recurso interposto entretanto seja aceite e a coisa volta para o lado oposto, enfim. Já antes tinha ouvido outro homem, do CDS (e já vão dois com pila a meter o bedelho nas coisas das mulheres, mas isto cada um é para o que pende...), a congratular-se com a respectiva decisão. Aparentemente tudo estaria resolvido a contento.
Um terceiro homem, Francisco Coelho da Rocha terá declarado à TSF que uma das holandesas aquáticas teria proferido "declarações que, para além de ofenderem deliberadamente a justiça e as leis portuguesas, bem como o juiz e o tribunal que proferiu a sentença, apelou à prática do aborto por mulheres portuguesas». Na cabeça desta criaturazinha, o mulherio vai passar a noite a tomar coisas para abortar. Tipo "Amigas, o k é k vamos fazer esta noite", "Eu keria ir kurtir pra discoteca...", "Oh, pah, essa cena n dá gozo. Bora aí fazer um aborto", "Pah, ó coisinha... mas se eu nem tou grávida...", "Fogo, minha, tu para cortares a cena... ouve lá...!".
O nosso ministro para a Defesa Das Mulheres Reprimidas lá veio todo contentinho dizer que o tribunal lhe deu razão. Como se isso significasse fosse o que fosse neste país. Basta que o recurso interposto entretanto seja aceite e a coisa volta para o lado oposto, enfim. Já antes tinha ouvido outro homem, do CDS (e já vão dois com pila a meter o bedelho nas coisas das mulheres, mas isto cada um é para o que pende...), a congratular-se com a respectiva decisão. Aparentemente tudo estaria resolvido a contento.
Um terceiro homem, Francisco Coelho da Rocha terá declarado à TSF que uma das holandesas aquáticas teria proferido "declarações que, para além de ofenderem deliberadamente a justiça e as leis portuguesas, bem como o juiz e o tribunal que proferiu a sentença, apelou à prática do aborto por mulheres portuguesas». Na cabeça desta criaturazinha, o mulherio vai passar a noite a tomar coisas para abortar. Tipo "Amigas, o k é k vamos fazer esta noite", "Eu keria ir kurtir pra discoteca...", "Oh, pah, essa cena n dá gozo. Bora aí fazer um aborto", "Pah, ó coisinha... mas se eu nem tou grávida...", "Fogo, minha, tu para cortares a cena... ouve lá...!".
6 de setembro de 2004
5 de setembro de 2004
O REGRESSO (VOZVRASHCHENIYE)
Ao ver esta maravilhosa primeira obra percebi o que me afasta de tantas e tantas propostas de filmes nacionais e não só. Andrei Zvyagintsev tem alguma coisa para contar. Não está a fazer um filme porque "lhe apetecia desesperadamente fazer cinema", nem porque se acha um génio colocado por Deus na Terra para nos iluminar. Fez um filme (o processo de escrita do guião foi moroso e antecipadamente premiado) porque tinha algo para dizer. A nossa vida de espectadores, leitores e ouvintes seria tão mais fácil se toda a gente fizesse como ele...
A não perder, para os que viverem em Lisboa, ou em países onde o filme seja exibido.
Ao ver esta maravilhosa primeira obra percebi o que me afasta de tantas e tantas propostas de filmes nacionais e não só. Andrei Zvyagintsev tem alguma coisa para contar. Não está a fazer um filme porque "lhe apetecia desesperadamente fazer cinema", nem porque se acha um génio colocado por Deus na Terra para nos iluminar. Fez um filme (o processo de escrita do guião foi moroso e antecipadamente premiado) porque tinha algo para dizer. A nossa vida de espectadores, leitores e ouvintes seria tão mais fácil se toda a gente fizesse como ele...
A não perder, para os que viverem em Lisboa, ou em países onde o filme seja exibido.
DURA LEX SED ERRADEX
Surpreende-me sempre ver a forma como gente muito séria diz, ainda com ar mais sério, que a lei é para se cumprir. Não para se questionar. Qualquer lei. Mesmo que pareça irreal e insensata. Não há juiz nenhum que não afirme "limitei-me a aplicar uma pena de acordo com a lei". E limpam as mãos às pernas, de seguida.
Ora, basta olhar a História, ou até, não ter faltado muito às aulas do 5º ano, para perceber que as leis mudam. O entendimento dos homens muda. O que hoje é um "gravíssimo atentado às instituições" amanhã será uma coisa natural.
Há cerca de 100 anos as pessoas seriam presas por adultério. Hoje, é chato.
Há 10 (não sei se já mudou) um mancebo seria declarado livre da tropa se declarasse "padecer de homossexualidade". Hoje chega a ministro da Defesa.
Ontem, uma mulher viúva, sem filhos, perderia a maior parte do seu património a favor da família do falecido, hoje, ainda o homem não arrefeceu e já ela pode estourar tudo em festas de esquecimento.
Ontem, o que estava errado está, hoje, certo.
Em muitos casos, o horrível criminoso do passado é um cidadão respeitado do presente.
Então, não seria melhor pararmos de mandar para a fogueira todos os que nos parecem vagamente ameaçadores? Tentar perceber as causas dos seus actos e em que medida CONCRETAMENTE isso afecta a comunidade?
Digo eu, que estou farto de ver mudar os livros de História...
Surpreende-me sempre ver a forma como gente muito séria diz, ainda com ar mais sério, que a lei é para se cumprir. Não para se questionar. Qualquer lei. Mesmo que pareça irreal e insensata. Não há juiz nenhum que não afirme "limitei-me a aplicar uma pena de acordo com a lei". E limpam as mãos às pernas, de seguida.
Ora, basta olhar a História, ou até, não ter faltado muito às aulas do 5º ano, para perceber que as leis mudam. O entendimento dos homens muda. O que hoje é um "gravíssimo atentado às instituições" amanhã será uma coisa natural.
Há cerca de 100 anos as pessoas seriam presas por adultério. Hoje, é chato.
Há 10 (não sei se já mudou) um mancebo seria declarado livre da tropa se declarasse "padecer de homossexualidade". Hoje chega a ministro da Defesa.
Ontem, uma mulher viúva, sem filhos, perderia a maior parte do seu património a favor da família do falecido, hoje, ainda o homem não arrefeceu e já ela pode estourar tudo em festas de esquecimento.
Ontem, o que estava errado está, hoje, certo.
Em muitos casos, o horrível criminoso do passado é um cidadão respeitado do presente.
Então, não seria melhor pararmos de mandar para a fogueira todos os que nos parecem vagamente ameaçadores? Tentar perceber as causas dos seus actos e em que medida CONCRETAMENTE isso afecta a comunidade?
Digo eu, que estou farto de ver mudar os livros de História...
4 de setembro de 2004
O SÂNTANO
Hoje entrei numa loja de roupas práticas e baratas e descobri que a nova colecção era constituída por pólos betosos, camisinhas de riscas e só não tinham sapatinhos de vela, sabe lá Deus por quê. Depois entrei noutra e... a mesma coisa: camisinhas de ir ao râguebi (por Toutatis! como se uma pessoa não tivesse mais nada que fazerr...!), o pavoroso riscado e, não verifiquei, mas desconfio da presença da calcinha de prega... Todas as tendências inovadoras que estas marcas de pronto-a-vestir tinham apresentado nos últimos anos se tinham sumido. Vanished. No ar. Como um passe de Houdini.
A ditadura Gant aí estava, disfarçada de Quebra-Mares e afins.
Quem viveu nos anos 80 (e já tinha consciência) terá lembrança do que foi o alastrar da mancha laranja. Primeiro foram as meninas ajaezadas a argoletas nas orelhas. Depois os meninos, subitamente alourados, com o sapatinho de vela a desatar. Reinava Cavaco nas Finanças, o automóvel em todo o lado e Santana era secretário de estado da cULTURA.
Hoje, vivem-se tempos piores. A moda alaranjada tinha como objectivo demosntrar que a juventude queria ganhar dinheiro, ser empresário, comprar belos apartamentos e carros.
Agora, nestes santanais tempos, ela reflecte apenas as cabeças ainda mais alouradas, os cabelos ainda mais compridos que nem sequer isso desejam. Apenas estourar o dinheiro que não têm, explorar pais até ao tutano, ficar a dever a quem for preciso e divertir-se, divertir-se, divertir-se...
Concordo com os laranjas que classificam o fim do mandato guterrista como um pântano, no sentido de local estagnado de onde tudo pode surgir. A prova aí está. Estas camisas penduradas nas lojas são a prova de que cogumelos do mais inútil e venenoso nos cresceram ao pé...
Vivemos no Sântano.
Hoje entrei numa loja de roupas práticas e baratas e descobri que a nova colecção era constituída por pólos betosos, camisinhas de riscas e só não tinham sapatinhos de vela, sabe lá Deus por quê. Depois entrei noutra e... a mesma coisa: camisinhas de ir ao râguebi (por Toutatis! como se uma pessoa não tivesse mais nada que fazerr...!), o pavoroso riscado e, não verifiquei, mas desconfio da presença da calcinha de prega... Todas as tendências inovadoras que estas marcas de pronto-a-vestir tinham apresentado nos últimos anos se tinham sumido. Vanished. No ar. Como um passe de Houdini.
A ditadura Gant aí estava, disfarçada de Quebra-Mares e afins.
Quem viveu nos anos 80 (e já tinha consciência) terá lembrança do que foi o alastrar da mancha laranja. Primeiro foram as meninas ajaezadas a argoletas nas orelhas. Depois os meninos, subitamente alourados, com o sapatinho de vela a desatar. Reinava Cavaco nas Finanças, o automóvel em todo o lado e Santana era secretário de estado da cULTURA.
Hoje, vivem-se tempos piores. A moda alaranjada tinha como objectivo demosntrar que a juventude queria ganhar dinheiro, ser empresário, comprar belos apartamentos e carros.
Agora, nestes santanais tempos, ela reflecte apenas as cabeças ainda mais alouradas, os cabelos ainda mais compridos que nem sequer isso desejam. Apenas estourar o dinheiro que não têm, explorar pais até ao tutano, ficar a dever a quem for preciso e divertir-se, divertir-se, divertir-se...
Concordo com os laranjas que classificam o fim do mandato guterrista como um pântano, no sentido de local estagnado de onde tudo pode surgir. A prova aí está. Estas camisas penduradas nas lojas são a prova de que cogumelos do mais inútil e venenoso nos cresceram ao pé...
Vivemos no Sântano.
2 de setembro de 2004
LOL
Até já estou com pena dos "almofadinhas" do PP e dos parecia-que-ia-ser-canja do PSD com esta história do Barco do Aborto (a designação é linda, de facto....). Quando julgavam que iam abafar um pequeno incidente, com um "a bola é nossa e não brincam, prontoz!!", a coisa rebenta-lhes nas mãos. Não contaram, do meu ponto de vista, com 2 factores: 1) estamos na silly season, 2) a classe jornalística é composta maioritariamente por mulheres que vão pouco à missa.
Agora até vão ter que "estar disponíveis para discutir a lei".
Azarinho.
Até já estou com pena dos "almofadinhas" do PP e dos parecia-que-ia-ser-canja do PSD com esta história do Barco do Aborto (a designação é linda, de facto....). Quando julgavam que iam abafar um pequeno incidente, com um "a bola é nossa e não brincam, prontoz!!", a coisa rebenta-lhes nas mãos. Não contaram, do meu ponto de vista, com 2 factores: 1) estamos na silly season, 2) a classe jornalística é composta maioritariamente por mulheres que vão pouco à missa.
Agora até vão ter que "estar disponíveis para discutir a lei".
Azarinho.
INDIE
Já aqui referi, mas repito: a partir de 24 de Setembro (uma semana) vamos ter (em Lisboa, helàs e claro...) a primeira edição do Festival Internacional de Cinema Independente - INDIELISBOA.
A seleccção é excelente (trust me) e a competição pelo Grande Prémio vai ser renhida.
Sou suspeito, mas sugiro que não percam as curtas-metragens (quer a Competição Oficial, quer o Observatório).
Entre as longas, muitas ante-estreias e visionamentos únicos do melhor que se produziu no mundo em 2003 e 2004.
Voltarei ao tema.
Tudo em www.indielisboa.com
Já aqui referi, mas repito: a partir de 24 de Setembro (uma semana) vamos ter (em Lisboa, helàs e claro...) a primeira edição do Festival Internacional de Cinema Independente - INDIELISBOA.
A seleccção é excelente (trust me) e a competição pelo Grande Prémio vai ser renhida.
Sou suspeito, mas sugiro que não percam as curtas-metragens (quer a Competição Oficial, quer o Observatório).
Entre as longas, muitas ante-estreias e visionamentos únicos do melhor que se produziu no mundo em 2003 e 2004.
Voltarei ao tema.
Tudo em www.indielisboa.com
NÓS
De vez em quando, se estou muito cansado, dou por mim em exercício de autocomiseração. Hoje, depois de sobreviver à estrada, deslizei para essa deplorável prática. Foi preciso tocar o telefone para eu me lembrar da velha frase sobre o Homem "ser a medida de todas as coisas". Ou pelo menos, de si próprio.
A partir daí, tudo ficou mais controlável ;)
De vez em quando, se estou muito cansado, dou por mim em exercício de autocomiseração. Hoje, depois de sobreviver à estrada, deslizei para essa deplorável prática. Foi preciso tocar o telefone para eu me lembrar da velha frase sobre o Homem "ser a medida de todas as coisas". Ou pelo menos, de si próprio.
A partir daí, tudo ficou mais controlável ;)
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